Responsáveis pelo coletivo Afroguerrilha, de São Bernardo do Campo (SP) criaram uma campanha de crowdfunding para ajudar a pagar o procedimento de adolescente que teve o rosto tatuado com a frase “eu sou ladrão e vacilão”.

 

O jovem de 17 anos foi encontrado por amigos neste sábado, na cidade onde mora. Ele estava desaparecido desde 31 de maio e a família o reconheceu no vídeo gravado e divulgado em redes sociais pelos dois agressores.

Em depoimento à polícia, no 3º Distrito Policial da cidade, o adolescente negou ter cometido qualquer furto. Ele foi levado ao posto médico para ser medicado e voltou para a casa da avó.

Ao G1, o advogado da família, Leonardo Rodrigues, afirmou que a família analisa quais medidas jurídicas serão tomadas. “Primeiro vamos cuidar dele, ele foi medicado, está assustado com o que passou. Muitas pessoas compartilharam a imagem dele fazendo julgamento sem conhecer os fatos. Ele não fez nada do que foi dito e espalhado na internet.”

 

A vaquinha virtual já arrecadou quase R$ 20 mi para pagar a remoção da tatuagem e custear despesas jurídicas e um tratamento de reabilitação contra dependência química para R.

 

Depois do relato do adolescente o tio, Vando, foi à polícia, que decretou a prisão do tatuador e do vizinho. O adolescente não tinha ideia de que o vídeo com as imagens dele estava espalhada pelas redes sociais.

“Eu esperei a justiça ser feita. Eu não tenho raiva deles, acho que agiram pela emoção e se enganaram porque o meu sobrinho é um menino bom. Mas, mesmo que não fosse, não se pode fazer isso com ninguém. Eu fico com pena das famílias deles.”

O menino abandonou os estudos no ensino básico. Segundo Vando, ele tem distúrbio de atenção e não era medicado porque a família não tem condições de arcar com um tratamento.

O adolescente se viciou em drogas e álcool. “Ele via a situação em casa e caía para o mundo”, disse Vando.

De acordo com o tio, que está desempregado e faz bico como descarregador de caminhão a R$ 50 a diária, a família vive sob extrema pobreza. A mãe e a avó do adolescente estão desempregadas.  Ele sequer estava roubando uma bicicleta, que seria de um deficiente físico: “Ele esbarrou na bicicleta. O dono da bicicleta estava no hospital e ficou indignado com o que fizeram com o meu sobrinho”.

 

“Eu fico revoltado, me sinto mal com isso, porque apoiaram uma coisa muito covarde. Se fossem tatuar todo mundo que pensam que roubou, o pessoal da Lava Jato não ia ter espaço. Não há nada que justifique fazer o que fizeram”, disse ele.

 

Fotos/Reprodução
Redação Café Sem Pó

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