Como blindar profissionais que lidam com o sofrimento humano?

sofrimento humano

Os profissionais da saúde acompanham de perto o sofrimento humano e vendo tantos casos de dor, angústia e morte todos os dias, precisam encontrar mecanismos para não deixar que essas situações causem grande abalos emocionais no seu psicológico. Mas qual é a melhor maneira de fazer isso? Como esses profissionais podem se blindar sem adotar ao tratamento frio e excessivamente pragmático?

A psicologia tem respostas para essas e outras perguntas ligadas ao tema e é sobre isso que falaremos no artigo de hoje. Vamos lá? 

Como o problema começa?

Ao acompanhar de perto um paciente por um certo período, conhecendo a sua história e presenciando o sofrimento humano diariamente, os profissionais não ficam imunes aos impactos psicológicos causados e, por isso, precisam de uma preparação nesse sentido. 

Sejam médicos, psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, fisioterapeutas ou fonoaudiólogos, faz parte da rotina de todos os profissionais da saúde enfrentar um conjunto de sentimentos negativos e dolorosos tanto do paciente em questão como de seus acompanhantes, acabando por absorvê-los e tomando-os para si. 

Os mais sentimentos mais comuns encontrados em quem tem contato constante com o sofrimento humano são a negação, a raiva, a culpa, o pensamento mágico (quando a pessoa procura relações entre fatos e ações) e sintomas depressivos

Não encontrando outra forma de lidar com o problema, muitos profissionais acabam por escolher o caminho do distanciamento e da frieza.

Mas de onde vem esse distanciamento?

Na maioria dos cursos de medicina do país, inclusive nos mais reconhecidos, distanciamento e a frieza eram recomendados desde as fases iniciais do curso como uma forma de “blindagem”. 

Até mesmo antes de entrar para a graduação, os estudantes dedicam muitas horas de seus dias aos estudos, desligando-se de da realidade que os cerca e, aos poucos afastando-se emocionalmente das situações de sofrimento humano. Porém, hoje sabemos que essa não é a melhor forma de lidar com o problema

É comum que já nos primeiros contatos do futuro profissional com as atividades que serão exercidas, existam situações de desigualdade social e falta de estrutura em hospitais, causando muita dor e mortes que poderiam ser evitadas. Não havendo uma preparação, essas experiências podem acabar trazendo um grande sentimento de frustração e impotência, gerando muito desconforto, estresse e até mesmo infelicidade. 

Como exercitar a empatia na profissão?

É preciso falar sobre o problema, refletir sobre as questões mais difíceis, como a morte, a perda e a frustração. Ao contrário do que muitos podem pensar, não é por estar inserido no meio da saúde que o profissional não deve procurar apoio psicológico ou psiquiátrico para encontrar a melhor maneira de lidar com os problemas que lhe afligem. 

O distanciamento emocional pode até parecer mais simples ao primeiro olhar, mas com o passar do tempo essa não é a melhor opção. Aprender a desenvolver a empatia e a colocar-se no lugar do outro, são apenas os primeiros passos desse processo. Além de a busca por um atendimento mais humanizado, ainda durante a formação é importante que os profissionais tenham contato com a Psicologia Médica e que também sejam orientados a entender suas limitações e direitos. 

A síndrome de Burnout na área da saúde

Apesar de bastante comum, pouco é falado sobre o Burnout entre os profissionais da saúde.

O Burnout, também chamado de síndrome do esgotamento profissional, gera um padrão de sentimentos e comportamentos que ultrapassam a habilidade de enfrentamento da pessoa, normalmente causados por fortes cargas emocionais e altos níveis de estresse. Sendo assim, toda e qualquer profissão que lida com o sofrimento humano de grandes proporções pode gerar o Burnout.

Um dos principais impactos, nesse caso, são as barreiras colocadas entre o profissional e o paciente. Levando ao aumento gradativo da indiferença do profissional de acordo com o nível de sofrimento do paciente.

São três os principais pontos em que o Burnout afeta os profissionais da saúde:

Exaustão emocional

A exaustão pode manifestar-se de maneira física, psicológica ou ambas conjuntamente. Assim, o profissional se sente desgastado e não tem mais energia, não conseguindo sentir o sofrimento humano alheio. Essa falta de sensibilidade leva ao distanciamento do paciente.

Despersonalização

O profissional deixa de enxergar e sentir o paciente como um ser humano que necessita de cuidado e atenção e passa a vê-lo como um “objeto” ou como uma “meta” que deve ser cumprida. Consequentemente surge a falta de paciência, a irritabilidade e a baixa tolerância com o paciente. A desconsideração com os sentimentos faz com que os procedimentos e o atendimento tornem-se mecânicos, rápidos e objetivos.

Desrealização pessoal

Esta é a característica mais evidente do Burnout, quando a auto-estima do profissional é rebaixada e este deixa de sentir importância nas funções que executa, tornando-se desmotivado e indiferente com tudo a sua volta. 

No caso do Burnout, a falta de “humanidade” no atendimento leva à insatisfação do paciente. Como a doença é pouco discutida no Brasil, na maioria dos casos só é percebida quando já está em um estágio muito avançado. Porém, este é reversível. A principal forma de combater a doença é eliminando essas barreiras na comunicação, criando um vínculo mais real, humano e afetivo com os pacientes, independentemente do grau de sofrimento pelo qual estejam passando.

Independente de qual seja a área de atuação do profissional no campo da saúde, aprender a conviver da melhor forma com o sofrimento humano é essencial. E esse aprendizado parte da reflexão e da discussão sobre as dificuldades, angústias e temores enfrentados no dia a dia.

Você já enfrentou alguma situação como as que mencionamos no seu trabalho? Concorda que a empatia e a inteligência emocional são as melhores forma de enfrentar o problema? Deixe a sua opinião aqui nos comentários!

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